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O mal da ideologia de hoje e de ontem: Alienação

A vida da humanidade mostra que a história teve sempre líderes, ou grupo de líderes que conseguiram coadunar a seu pensamento um grande grupo social em torno de suas ideias, de suas doutrinas, grupos estes que passaram a não pensar por si próprios, aceitando tudo o que lhes era dito.
Ideologia é o conjunto de doutrinas e pensamentos que um líder ou o seu grupo tem como correto, basicamente uma universalização de certos valores.

 

 

 

É evidente que há algo bom na ideologia, é bom ter algo em que se acredita, em que se valoriza como ideal, que se luta para transformar, desde que o indivíduo seja consciente que ele pode não está correto para evitar verdadeiras alienações devido a ideologia.

 
Alienação refere-se a não pensar por si próprio, mas deixar que outros pensem por você. O século XX, por exemplo, traz um claro exemplo de alienação de pensamento, os alemães ao seguirem Hitler deixaram de pensar por si mesmos fazendo verdadeiras aberrações. Hannah Arendt, em “Eichmann em Jerusalém”, traz a expressão “banalidade do mal” devido a Eichmann, a quem ela se estarrece ao constatar ser um “bom” cidadão, pai e esposo, faz todo o planejamento para que milhares de judeus sejam mortos porque Hitler assim o disse que era ideal.

 

 
O exemplo de Adolf Eichmann é significativo, mas não é único, Aristóteles, mesmo que em outro contexto, já dizia “É natural que o mais forte domine o mais fraco” (mesmo filósofo não ficou indiferente a ideologia de que os não-gregos, os bárbaros, são inferiores por natureza), foi assim na idade média quando o catolicismo controlava os seus fiéis sem permite-lhes o acesso as escrituras sagradas para interpretação pessoal (causando uma alienação coletiva do sacro, grande parte da população, durante vários séculos, contentavam-se a aceitar em nome da salvação uma opressão gigantesca). E assim é hoje, mesmo que camuflada, um olhar critico no meio social percebe-se claramente uma ideologia alienando as pessoas.

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Ainda que a tese de Marx seja amplamente criticada (aqui no sentido ruim da palavra), quando diz que a política, o direito, a religião, a moral, a estética entre outros seriam mais uma “roupagem” ideológica amplamente influenciada pela economia, ele foi bem coerente em dizer que a ideologia mascara a realidade.

 


O século XXI trouxe a globalização
e ao contrário do que se imagina que com ela as diferenças se ressaltariam, é visível uma massificação, e de certa forma unificação, de valores e culturas. O capitalismo urge pelo lucro, precisam-se vender produtos sejam eles quais forem, vincula-se então a identidade de alguém a algo que ela tem.

 

 
Criou-se uma ideologia do consumismo, do viver o agora um “carpe diem” que desvincula do homem a sua cultura e impõe aquela dos líderes atuais. Valoriza-se os costumes e cultura dos mais ricos, mesmo que a realidade seja de pobreza. Aceita-se muito mais do que questiona-se as decisões políticas e de cunhos sócias, há uma imposição, ainda que mascarada, dos anseios da classe dominante na sociedade.

 
A essa ideologia liga-se a alienação de não se pensar sobre os porquês de se consumir tanto, não se reflete sobre o consumo só se consome. Não se reflete nas causas de não se investir tantas somas em educação, aceita-se que existe a necessidade de desenvolver as indústrias no país.

 

Há uma crise de identidade favorecida pela ideologia dos países de primeiro mundo. Alienação essa visível nos padrões de beleza, o Brasil é um país de misturas mil, ainda sim é claro um padrão estético tipicamente europeu.

 
Alienar é controlar, um pensamento crítico é mais que necessários para que as amarras que prendem o homem ao não pensar. É ótimo que se tenha algo como bom, como ideal pelo que se luta, desde que as pessoas não fiquem cegas e aceitem tudo calmamente como lhe é imposto.

 

Escrito por Diego Antunes – estudante de Direito

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Escrito Por Cilene Bonfim
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